Domingo, Julho 18, 2004
No Armazém
Clarice trabalhava no caixa de um armazém em Recife. A mais bronzeada entre cinco irmãs, por isso recebeu no bairro o apelido de "Moreninha". Álvaro era comerciante, militar de reserva na época da Guerra, lutando duro para ganhar dinheiro - e assim ia curtindo o di-a-dia e construindo seu futuro.
Um dia o acaso ou a necessidade fez com ele entrasse naquele armazém - e a partir de quando passou no caixa a sua vida nunca mais foi a mesma. Fisgado por um sentimento incontrolável, ficou hipnotizado, não queria saber de outra coisa além daquela paixão à primeira vista. Seu primordial objetivo agora se resumia em ter junto de si a Moreninha.
Essa era sempre a história que, orgulhoso, repetia e mais gostava de contar em sua vida. Um momento no cotidiano, momento que poderia ter sido como qualquer outro. Acabou contudo se transformando em um instante mágico, marcando não somente a história dos dois, como simbolizando o nascimento de uma nova família.
Foram mais de 50 anos de casados, 4 filhos, 10 netos.
Ainda bem que ele procurou a moça de novo e conseguiu conquistá-la - senão eu não estaria aqui agora. Voa em paz, vovô.
In memorian (14/10/18 - 01/07/04) + Álvaro Pinto de Lemos





